Publicado por: rutemeiranigri em: março 25, 2010
Será que me encaixo no perfil deste título?
Tenho certeza que não. Ou melhor, não naquele título antigo, cheio de firulas e de um imaginário de “glamour”. Naquele estereótipo de muitas palestras que assisti para acompanhantes dos cirurgiões plásticos em congressos de outrora.
A esposa impecável, com trânsito social ilimitado, à distância daquele provedor da família que lidava com as formas perfeitas, com beleza, aprimorada, principalmente da mulher.
Faço parte da outra “leva” de esposas, embora também não esteja situada entre as mais novas, ou melhor, com menos idade, ou ainda a 2ª ou 3ª companheira.
Já tenho 27 anos de casada, e, desde que na adolescência eu e Edgard, no 2° grau do Colégio Loyola, colegas de sala, optamos pela medicina, iniciamos uma parceria profissional e sabidamente difícil porem com vocação.
Constituímos família, temos 2 filhos e estes foram sempre as prioridades em nossas vidas. Eu abracei a oftalmologia, ele a cirurgia plástica e posso afirmar que apesar de dedicarmos até hoje, integralmente nossos horários à profissão, a medicina não é e nunca foi um fardo em nossas vidas.
Entusiasta que sou do aprendizado constante e sempre ligada à formação acadêmica, consegui unir o útil ao agradável ensinando e ao mesmo tempo dedicando meus conhecimentos aos mais necessitados. Preceptora de residência médica desde 1990 (20 anos!) dedico 2 horários semanais de meu consultório particular ao ensino da oftalmologia na especialidade de ESTRABISMO em ambulatórios e procedimentos cirúrgicos de maneira voluntária, sem ônus financeiro.
Foram 13 anos de Fundação Hilton Rocha e nos últimos 7 anos na Santa Casa de Misericórdia de BH. Nada se compara à satisfação de poder ajudar semelhantes sujeitos ao caos da saúde deste país.
Vivemos de experiências, nossos filhos de nossos exemplos.
A “culpa da mãe ausente” por tantas horas trabalhando, se tornou inexistente quando um dia perguntei a um de meus filhos o porquê de terem escolhido também serem médicos (Deborah hoje formando, Bernardo acadêmico do 3° ano médico) mesmo sabendo de tantas dificuldades e terem vivenciado tão de perto tudo isso.
A resposta veio simples e direta: – Mãe,quero ser “igualzinho” a você!
Talvez eles nem se lembrem dessa passagem, mas jamais dela me esqueci.
Não que eu tenha me sentido “a última bolacha do pacote”, ou “mulher maravilha” ou “mulher especial” nada disso!
Percebi com alívio e tranqüilidade que a minha opção tinha dado certo e a minha família estava tão feliz quanto eu!!..
Dra. Maria de Lourdes Fleury F.Carvalho Tom Back